Considerações sobre a missão dos leigos e leigas na Paróquia - a propósito da questão do ECCO eixo central da proposta pastoral do Documento de Aparecida é a missão. Como conseqüência, a partir de Aparecida, a prioridade das Paróquias é a ação missionária: "Necessitamos que cada comunidade cristã se transforme num poderoso centro de irradiação da vida em Cristo. Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria e esperança" (DA 362). Para que isso se torne possível, os Bispos afirmam que é urgente uma "conversão pastoral de nossas comunidades", de tal modo que "se vá além de uma pastoral de mera conservação, para uma pastoral decididamente missionária" (DA 370). Isso significa abrir novos horizontes de missão. Não podemos ficar fechados naquilo que estamos acostumados a fazer e nem nos grupos que estamos acostumados a frequentar. O contexto atual nos coloca uma urgência: "Nenhuma comunidade deve se isentar de entrar decididamente, com todas as suas forças, nos processos constantes de renovação missionária, de abandonar as ultrapassadas estruturas" (DA 365), em busca de novos meios e caminhos de evangelização, capazes responder aos desafios atuais. Por isso, "a conversão pastoral requer que a Igreja se constitua em comunidades de discípulos missionários ao redor de Jesus Cristo, Mestre e Pastor", o que exige de todos nós uma "atitude de abertura, de diálogo e de disponibilidade para promover a corresponsabilidade e participação efetiva de todos os fiéis na vida das comunidades cristãs" (DA 368). Essas considerações a partir da Conferência de Aparecida nos ajudam a lançar luz sobre a questão de fundo da discussão que acontece na Paróquia sobre o ECC. Vejamos algumas afirmações de outro documento importante: a Exortação Apostólica Christhefidelis Laici. Escrita em 1988 pelo Papa João Paulo II, se mantém atual e deveria ser conhecida por todos os leigos e leigas, pois trata da vocação e missão destes na Igreja. Nos números 18-31 o Papa nos ensina, citando São Paulo (1Cor12,26), que somos chamados a viver em comunhão no Corpo Eclesial, do qual Cristo é cabeça e nós somos membros. Aí cada membro tem uma função para o bem do corpo. O Espírito Santo suscita dons e serviços na Igreja e cuida para que haja harmonia na diversidade e unidade, pela complementariedade de cada membro: 1. Ministérios derivados do Sacramento da Ordem: Diáconos, Presbíteros e Bispos continuam o ministério dos Apóstolos. 2. Ministérios confiados aos leigos e leigas, fundados nos Sacramentos do Batismo, Crisma e Matrimônio. Desempenhá-los é exercer a Vocação de Leigo. 3. Carismas, dons do Espírito Santo, dados para o cristão desempenhar um ministério ou realizar uma ação útil na Igreja. Os leigos devem desempenhar o seu papel unidos a seus pastores, num contexto Eclesial, e deve ser incentivada sua participação na vida da paróquia (Cl 27). Surpreende ver nessa discussão que, quando o Pastor exerce a sua função ministerial, tentando apontar o melhor caminho de participação dos leigos e leigas para o crescimento do Corpo Eclesial, um "misterioso" Carlos Magno levanta uma discussão passional, sem dado objetivo algum, e uma quantidade de pessoas igualmente desconhecedoras dos dados objetivos alimenta a discussão sem sequer procurar tomar conhecimento dos motivos da proposta de reduzir o ECC a um no ano. A duas únicas coisas que se consegue com atitude como essa é nos fazer desperdiçar tempo e energia que poderiam estar sendo usadas para fazer o bem e comprometer a Comunhão e a Unidade do Corpo. No final da Exortação o Papa vai insistir na formação integral dos leigos: uma formação espiritual, doutrinal, humana, social que os ajude no crescimento pessoal e na capacitação para a missão. O Documento de Aparecida retoma esse ponto: os leigos e leigas são destinatários e sujeitos da formação. Todos devem se sentir "co-responsáveis na formação dos discípulos e na missão" (DA 202). Como assumir essa responsabilidade quando se passa metade do ano preparando um ECC e, quando termina esse, começa-se a preparar o próximo e, quando termina o próximo, começa-se a pensar nos eventos de fim de ano e, no tempo que sobra, pensa-se em como acompanhar tantos círculos? Será que pensamos devidamente na qualidade da formação que estamos proporcionando às pessoas nos círculos? Será que paramos para verificar quantas pessoas estão sendo levadas a um engajamento efetivo nas pastorais da Igreja? Quantos leigos e leigas missionários estamos formando? Essa é uma questão tão importante para a missão da Igreja que os Bispos pedem "uma clara e decidida opção pela formação dos membros de nossas comunidades" (DA 276). E insistem: "Os melhores esforços das paróquias devem estar na convocação e na formação de leigos missionários" (DA 174), pois "para cumprir sua missão com responsabilidade pessoal os leigos necessitam de sólida formação doutrinal, pastoral, espiritual e adequado acompanhamento" (DA 212). Como vamos dar o adequado acompanhamento no atual contexto? Vocês já pararam para pensar no potencial missionário que tem nossa paróquia quando se considera a qualidade de seus paroquianos e paroquianas, a localização física da paróquia e os recursos de que ela dispõe? Não estamos nós enterrando nossos talentos e não proporcionando as condições para que eles se multipliquem (Mt 25,14-30)? Não estamos nós produzindo 30 por um quando poderíamos produzir 100 (Mc 4,1-9)? Finalmente uma última lembrança: no contexto do X Plano de Pastoral, nosso Cardeal convocou em 25 de janeiro o Congresso Arquidiocesano de Leigos: "Cristãos leigos, discípulos missionários de Jesus Cristo na cidade de São Paulo". Sua intenção é a mobilização dos leigos e leigas, especialmente os que participam pouco da ação Pastoral e das atividades da Igreja, para que sejam efetivamente discípulos missionários e discípulas missionárias em nossa cidade. Sem desmerecer o ECC, que tem grande valor, deveríamos considerar que os horizontes da Missão da Igreja são muito mais amplos. Não é hora de pararmos com essas discussões sem fim e, em unidade e comunhão, começarmos a buscar as opções que tornem mais fecunda nossa ação missionária? Creio que está aí um bom exercício quaresmal para todos nós. Sugestões de leituras: Exortação Apostólica intitulada Christhefidelis Laici. João Paulo II, 1988; Documento 62 da CNBB: Missão e ministérios dos cristãos leigos Pe. Emmanuel SJ
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