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Iniciação Cristã de Adultos
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A Iniciação Cristã do Adulto em Forma de Catecumenato

I. O que é o catecumenato?

Catecúmenos, originalmente, eram todos aqueles que se preparavam para receber os sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. O catecumenato, então, é o período de preparação necessária e a preparação mesma para a recepção daqueles sacramentos.

Com a expansão do cristianismo e conseqüente generalização do Batismo de crianças não chegadas à idade da razão, desapareceu o catecumenato. Em sentido abrangente, contudo, podemos considerar catecúmenos os que ainda, apesar do Batismo recebido, preparam-se ainda para receber a Crisma e/ou a Eucaristia.

II. Na Igreja primitiva.

O berço do catecumenato é a Igreja dos primeiros séculos (a partir do Século III). A maioria dos que recebiam o Batismo era composta de adultos. Pode-se dizer que inicialmente o Batismo de crianças era uma exceção, porque os primeiros cristãos não o eram "de berço", mas de conversão, seja do judaísmo, seja do paganismo, embora haja indícios do Batismo de crianças, filhos de pais cristãos, já na era apostólica - Século I.

O período de preparação variava, mas geralmente era longo, durava 3 (três) anos. Isso porque supunha não somente a instrução nas verdades da fé, mas também a conversão dos costumes. Era a Igreja que avaliava se, ao fim de um dado período, o candidato poderia ou não receber o Batismo, ou se deveria esperar.

A base da instrução catecumenal era (e permanece sendo!): (a) o símbolo de fé; (b) o decálogo; (c) a oração dominical (Pai Nosso) e a iniciação aos "divinos mistérios" ou sacramentos a serem celebrados e recebidos (ficando boa parte desta iniciação para depois da recepção).

Os sacramentos da iniciação eram sempre conferidos na "Mãe de todas as santas vigílias", a Vigília Pascal. A Quaresma surgiu como preparação próxima mais intensa: dos catecúmenos, para receberem os sacramentos; dos fiéis, para acompanhar os catecúmenos na oração e na penitência, bem como para renovar em profundidade a iniciação já recebida.

Bem característico da iniciação na forma do catecumenato é que ela se desdobra em certos ritos especiais a serem realizados nos domingos da Quaresma que antecede a recepção dos sacramentos.

III. Catequese e catecumenato.

O catecumenato permanece, no entender e na vontade da Igreja, o modelo inspirador perene de toda ação catequética. Pois a autenticidade da ação eclesial depende da fidelidade às Escrituras e às fontes da Tradição apostólica. As reformas litúrgicas havidas na história da Igreja - incluindo certamente a realizada pelo II Concílio Vaticano - sempre se pautaram pela fidelidade a esse duplo critério. Ora, a Igreja entende que a Tradição apostólica encontra sua expressão doutrinária e celebrativa mais pujante e autêntica na liturgia cristã dos primeiros séculos, toda originada e construída em torno e em função do Mistério Pascal.

IV. Catecumenato hoje.

Hoje, mais do que nunca, os cristãos têm necessidade de confrontar-se com o específico da sua identidade, indo haurir às fontes da mesma. Essa é a condição para toda autêntica renovação, que é, ao mesmo tempo, revigoramento e fidelidade à essência da coisa a ser renovada.

Por isso, a Igreja insiste na revalorização das fontes cristãs e na sábia utilização deste tesouro perene no contexto do mundo atual.

Portanto, os que não receberam o Batismo já tendo atingido a idade da razão, têm o direito (salvo justificadas exceções) de receber da Igreja uma preparação dentro dos moldes do catecumenato. Quanto aos que se preparam para receber separadamente os outros sacramentos da iniciação, é desejável que a preparação dos mesmos leve em conta toda a riqueza de método e conteúdo do programa catecumenal, de modo a proporcionar-lhes um contato frutuoso com o que de melhor e de mais sólido se lhes pode oferecer.

V. O RICA.

Para viabilizar a retomada do catecumenato como caminho e modelo inspirador de toda iniciação cristã, a Igreja elaborou, com base nas fontes bíblicas, históricas e litúrgicas, hoje melhor e mais profusamente conhecidas do que em séculos passados, o "Rito da Iniciação Cristã de Adultos", o RICA. É este o livro ritual e normativo a ser seguido para a prática da iniciação dos adultos.

É lastimável que esta, sendo talvez a mais significativa realização da última reforma litúrgica, seja quase que totalmente ignorada e pouquíssimo colocada em prática. Pode-se dizer que a reforma não terá sido colocada plenamente em prática nem terá dado seus melhores frutos, enquanto o RICA não assumir o lugar que lhe cabe - não só como um livro ritual e normativo, mas sobretudo como inspirador de nossa ação pastoral na evangelização dos batizados e dos não batizados.

Pe. Sérgio Cavalcanti Muniz

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