| Pastoral da Escuta |
Página Inicial
|
Em nossa sociedade atual, extremamente competitiva, paradoxalmente, as pessoas se isolam cada vez mais umas das outras. Ninguém parece ter tempo ou disposição para dedicar aos outros alguns minutos de atenção para uma conversa, para um diálogo ou mesmo para apenas ficar ao seu lado. As cobranças são constantes, as ameaças, múltiplas. A solidão domina os seres humanos modernos. Essa solidão cada vez maior pode acabar levando as pessoas a atos impensados.
As pessoas que precisam da Pastoral da Escuta estão esgotadas emocionalmente pela falta de sentimentos, pela frieza, pela insensibilidade delas próprias e daqueles com os quais convivem. Vão em busca de alguém com quem possam realmente ser elas mesmas, sem máscaras. O seu gesto, ao ir à procura de um voluntário da Pastoral da Escuta é uma tentativa de romper a solidão, saindo de si mesmas à procura de um outro ser humano.
Querem alguém que tenha tempo de ouvi Ias, que tenha uma voz calma, que lhes assegure não estarem loucas, que as façam sentir se amadas, importantes para alguém. Procuram quem acredite nelas, sem que tenham de provar nada. Pessoas que estejam do seu lado, que as façam sentir se amparadas, seguras, respeitadas, compreendidas. Que lhes proporcionem alívio, esperança, sem tentar dirigir sua vida, sem dar palpites, sem julga-las. Que as façam sentir confiança, que as coloquem à vontade, que não venham a usar mais tarde contra elas o que lhes foi confiado, que demonstrem cuidado. Enfim, alguém que lhes transmita: "Eu me importo com o que acontece com você".
Os voluntários da Pastoral da Escuta estão aptos a oferecer às pessoas que os procuram, as atitudes básicas de Confiança nas pessoas humanas, Respeito pelos que os procuram, Aceitação delas como seres humanos muitas vezes carentes e Compreensão pelas suas atitudes. O voluntário aprende a observar a si próprio, conhecer melhor o seu interior, a fim de melhor poder compreender e aceitar o próximo. Possui flexibilidade, abdicando de atitudes rígidas, nivela se com o outro, não ficando nem acima nem abaixo dele, possui a humildade de reconhecer que não possui a solução dos problemas do outro, não projeta no outro o seu ideal de como ele deveria ser ou agir. Possui disponibilidade não só de tempo, e doação de calor humano, como também para busca do seu auto¬conhecimento. É moderado em todas as suas atitudes e palavras.
O voluntário ouve ativamente, ouve realmente o que o outro diz, e deixa que ele perceba que está prestando atenção. Está atento àquilo que vem de si próprio e como isso afeta o interlocutor. Ouve o que é dito e observa o que não chega a ser dito. Manifesta paciência e calma em relação às incoerências do outro, muitas vezes perturbado e confuso, repetitivo. Respeita os silêncios do outro, não "atropelando" suas idéias, seus pensamentos. Compreende, mesmo que não concorde com o que lhe é dito. Comunica a ele o que ouviu e compreendeu. Guarda absoluto sigilo, não só da identidade do outro como do conteúdo da conversa. Fala pouco de si mesmo, dando ao outro toda a importância que ele merece. Aceita o fato de cada um saber, mais que ninguém, o que é melhor para si próprio. Enfim, faz com que a pessoa que o procura se sinta inteiramente à vontade para desabafar plenamente, sem receio de receber julgamentos, críticas, ameaças veladas, conselhos não desejados, ou direcionamento quanto ao rumo que deve dar à sua vida.
A Pastoral da Escuta da Paróquia de São Luis Gonzaga atende há mais de dois anos às terças feiras e quartas-feiras, das 10,00 h às 19,00 h. Neste período, seus voluntários atenderam a uma média de 30 pessoas por mês. Sentimo-nos felizes e gratificados com esses resultados de nosso trabalho.