| Pastoral da Cultura |
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A Igreja sempre esteve atenta aos sinais dos tempos, tentando compreender à luz do Evangelho os caminhos percorridos pelo homem situado historicamente. Neste final de século e início de uma nova época, a velocidade das transformações sócio-culturais exige da Igreja um cuidado todo especial na interpretação do momentum histórico e no planejamento da sua ação pastoral. Vivemos num momento que é, ao mesmo tempo, dramático e fascinante (Redemptoris Missio, n. 38), mas para a Igreja é um Kairós, um momento favorável para uma nova evangelização (Por uma Pastoral da Cultura, n 7). A Igreja não pode ficar indiferente à revolução cultural pela qual estamos passando, a qual está alterando não apenas as formas externas da organização social, mas, sobretudo, os valores sedimentados na cultura. Alguns dos traços característicos desse novo tempo são: a) ênfase no subjetivismo como critério de verdade (Fides et Ratio, n. 47). b) tendência positivista. c) mentalidade liberal, materialista, antropocêntrica, hedonista e atéia (Por uma Pastoral da Cultura, n. 7). d) cultura prevalentemente científica e técnica (Veritatis Splendor, n. 112). Some-se a isso o "desenraizamento cultural" (Por uma Pastoral da Cultura, n. 8) causado pelo êxodo rural e o crescimento desmedido dos centros urbanos.
Diante deste contexto, a preocupação da Igreja em estabelecer uma ação pastoral voltada em especial ao campo da cultura mostra, mais uma vez, o rosto da Igreja que é, antes de tudo, mater et magistra. "A tomada de consciência da dimensão cultural da existência humana acarreta uma atenção particular para com este novo campo da pastoral" (Por uma Pastoral da Cultura, n. 6).
Inspirada no evangelho que diz "Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim" (Jo 12,32), a Pastoral da Cultura representa o esforço da Igreja em "ir ao encontro dos homens em sua própria cultura" (Por uma Pastoral da Cultura, n. 2) e elevá-los a Deus. Assim, a experiência religiosa é incluída nas muitas experiências culturais, permitindo a aproximação ao mistério de Deus. O Papa João Paulo II, ao criar o Conselho Pontifício da Cultura, em 20 de maio de 1982, chamava a atenção de todos para a necessidade de unir a experiência da fé com a experiência cultural: uma fé que não se torna cultura é uma fé não de modo pleno acolhida, não inteiramente pensada e nem com fidelidade vivida (Por uma Pastoral da Cultura, n. 1).
A Pastoral da Cultura pretende ajudar a Igreja a pensar seriamente sobre as seguintes questões: Como é que a mensagem da Igreja é acessível às novas culturas, às formas atuais da inteligência e da sensibilidade? Como é que a Igreja de Cristo pode fazer-se compreender pelo espírito moderno, tão orgulhoso com as suas realizações e ao mesmo tempo tão inquieto com o futuro da família humana? (Por uma Pastoral da Cultura, n.1).
A Pastoral da Cultura tem por objetivo prioritário "inserir a seiva vital do Evangelho nas culturas a fim de as renovar interiormente e de transformar, à luz da Revelação, as compreensões do homem e da sociedade que modelam as culturas, as concepções de homem e de mulher, da família e da educação, da escola e da universidade, da liberdade e da verdade, do trabalho e do lazer, da economia e da sociedade, das ciências e das artes" (Por uma Pastoral da Cultura, n. 25). Trata-se de uma ação pastoral que visa a "cristianização do ethos do povo" (Evangelii Nuntiandi, n. 20)
Atualmente, a Pastoral da Cultura vem assumindo cada vez mais o seu lugar dentro da pastoral orgânica da Igreja no Brasil, em consonância ao desejo do Sumo Pontífice que pede a cada Igreja Particular para organizar um projeto cultural (Para uma Pastoral da Cultura, n. 25), a exemplo de alguns países.
"A urgência da Pastoral da Cultura é grande, a tarefa gigantesca, as modalidades múltiplas, as possibilidades imensas, no limiar do Novo Milênio..." (Por uma Pastoral da Cultura, n. 39). A Igreja do Paraná, articulada na pastoral da Igreja do Brasil, precisa encontrar caminhos eficazes para o desenvolvimento de uma autêntica Pastoral da Cultura, que corresponda aos anseios do homem do novo século. Mais ainda, precisa suscitar um trabalho específico junto aos centros de produção e propagação de cultura, somando-se às pastorais afins que já desenvolvem sua ação evangelizadora. Não se pode esquecer que "uma autêntica pastoral da cultura é decisiva para a nova evangelização" (João Paulo II, Discurso ao Conselho Pontifício da Cultura, 14 de março de 1997).
Implantar a Pastoral da Cultura no Regional Sul II da CNBB.
Ver a realidade do Regional Sul II no que tange à questão da cultura, levantando dados para compor um cenário sócio-cultural.
Este levantamento do cenário sócio-cultural do Regional Sul II pretende, em primeiro lugar, mostrar os "novos areópagos" (Por uma Pastoral da Cultura, n. 9 e Redemptoris Missio, n. 37) da evangelização no Paraná: instituições de ensino fundamental, universidades e centros de cultura, meios de comunicação, entidades científicas e de produção tecnológica, grupos de intelectuais das várias áreas do conhecimento, centros de produção artística, grupos de artistas das várias áreas, etc. Em segundo lugar, pretende-se mostrar o que a Igreja já tem feito através destes vários segmentos identificados.
Julgar o cenário construído à luz dos Documentos da Igreja sobre a evangelização da cultura e propor um Plano de Ação.
A partir da reflexão dos principais documentos da Igreja que tratam da questão da cultura, tanto os documentos pontifícios, como os da Igreja na América Latina e no Brasil, o cenário inicialmente construído será cuidadosamente analisado. Desta análise, nascerá um primeiro Plano de Ação da Pastoral da Cultura para o Regional Sul II.
Agir para a efetivação do Plano proposto.
Organização de um grupo de trabalho com a participação do Assessor Regional e de um representante de cada Diocese ou, ao menos, de cada Província Eclesiástica.
Aproximação com organismos ou entidades que já atuam na linha da Pastoral da Cultura, como por exemplo o grupo Ciência e Fé, a AEC, a Pastoral Universitária, a Pastoral da Educação, entre outros, a fim de somar esforços e organizar uma ação integrada.
Criação de um Fórum Permanente de Intelectuais Cristãos, com o objetivo de manter reunida uma massa crítica capaz de refletir, à luz dos valores cristãos, os desafios prementes do nosso tempo e da nossa cultura, como por exemplo: A Pós-Modernidade, A Revolução da Internet, A Cultura da Violência, Os desafios da Bioética, A Ecologia e o Meio Ambiente, A crise dos valores da família (a educação dos filhos, o divórcio, o aborto, a contracepção, etc), A dimensão ética das questões científicas, O mundo da educação, O mundo das artes, entre outros.
Lançamento de publicação (Jornal ou Revista) da Pastoral da Cultura, com o material produzido pelo Fórum, além de informativos e outros. Organização de um Ciclo de Palestras para o Regional.
Criação de programas para a Rede Vida de Televisão e para as emissoras de rádio católicas do Regional.
Bispo Responsável: Dom Sérgio Arthur Braschi
Assessor: Prof. Paulo Eduardo de Oliveira