Quem São

Tratam-se de homens e mulheres que, por não relacionarem mais/ou ainda com o trabalho, como trabalhadores formais, também não se relacionam com o dinheiro (enquanto remuneração pela venda contratual de sua força de trabalho). Geralmente não possuem existência legal (uma vez que não possuem documentos que os identificam como cidadãos) e não possuem local de moradia (entendendo simultaneamente como espaço de relações pessoais e sociais). São homens e mulheres que romperam seus vínculos com a família, vizinhos e amigos, com o bairro, a cidade ou o estado de origem, com os espaços institucionais e de lazer , antes ocupados e via de regra com os referenciais simbólicos que norteavam seus princípios morais e religiosos.

O mundo social dos indivíduos em situação de rua, é constituído de uma subcultura limitada, sendo um mundo do social que não é criado ou escolhido pela grande maioria destes indivíduos, pelo menos não inicialmente mas para o qual a maioria foi empurrada por circunstâncias além do seu controle.Como as pessoas em toda a parte, os indivíduos em situação de rua tem de comer, dormir, eliminar, viver dentro do seu orçamento e construir um senso de significados e amor próprio. Entretanto devem atender a esses requisitos de sobrevivência sem os recursos e estruturas de apoio social que a maior parte de nós dá como certa. Como estes indivíduos estão no nível mais baixo do sistema de status, também faltam as fontes de dignidade e respeito baseado nos papéis desempenhados que tipicamente advém para aqueles que estão mais acima da hierarquia social.

Tipos de Moradores

1) Os recém-deslocados: quaisquer que sejam as causas do desabrigo, os comportamentos de adaptação e a orientação psicológica daqueles indivíduos que se encontram nas ruas pela primeira vez mostram semelhanças marcadas que os distinguem dos moradores de rua que, com exceção de alguns doentes mentais, estiveram na rua por mais tempo.Quando os indivíduos vão para as ruas pela primeira vez, estão compreensivelmente amedrontados pelo mundo novo, estranho e violento em que penetraram.Tem medo da companhia rude na qual se descobrem.Não sabem em quem confiar , se é possível confiar em alguém.E não sabem como sobreviverão, se é que isso é possível. Em muitos aspectos, acham-se num estado de apatia Consequentemente, os recém deslocados tendem a utilizar às instituições curadoras locais, particularmente aquelas, tais como albergues e casas de convivência que fornecem alimentação e abrigo.

O Mundo incerto e estranho que inicialmente confronta os recém deslocados tende a induzi-los a pensar sobre suas experiências e identidades passadas, dando origem a um forte desejo de voltar ao mundo de onde vieram. Não apenas a conversa dos recém deslocados é temperada com planos de sair das ruas, mas seus comportamentos são direcionados de modo bastante coerente com esses objetivo; por exemplo eles estão entre os que buscam de modo mais frequente tanto emprego convencional quanto o informal.Além disso eles repudiam a identidade social de pessoas de rua e rapidamente enfatizam para outros que não são como a maioria dos moradores de rua em cuja companhia são encontrados. Os recém deslocados portanto se acham na situação desconcertante e estafante de estarem psicologicamente fora das ruas, mas fisicamente atolados nela.

2) Vacilantes: Se os esforços que uma pessoa recém-deslocada faz para sair das ruas são continuamente mal-sucedidos, ela freqüentemente muda a auto-orientação e o comportamento.O medo que uma pessoa tem do ambiente dos moradores de rua tende a diminuir a medida que este ambiente se torna familiar. A pessoa moradora de rua trava novas amizades e se torna mais versada em como conseguir comida, abrigo e companhia.Por outro lado, modos planejados de sair da rua tendem a se tornar cada vez menos claros, e há uma tendência a cair em um estado de lassidão, deixando os dias passarem sem se tomar qualquer atitude.

Freqüentemente nesse estágio , a fala e a ação são inconsistentes.Planos de ação são altamente mutáveis, especialmente planos para procurar trabalho.Embora a pessoa moradora de rua nesta altura não se identifique positivamente com os outros nas ruas, há um reconhecimento de uma situação partilhada.

Portanto os vacilantes estão num momento de virada crítico de suas vidas, com um pé no mundo domiciliado do passado, com o qual ainda se identificam e em relação ao qual sentem alguma continuidade e um pé plantado na vida da rua.

3) Outsider - os moradores de rua recém-deslocados a medida que se acostumam com a vida nas ruas podem, por sua vez, se deixar levar mais ainda para a vida de rua, tanto na sua orientação psicológica quanto sua rotina cotidiana mais concentrada na sobrevivência nas ruas do que sair delas.Estes indivíduos moradores de rua se tornaram Outsider.. O conceito de outsider se refere à condição de estar permanentemente e por imputação colocado fora das disposições estruturais de um dado sistema social, ou de estar situacional ou temporariamente excluído, ou de voluntariamente se excluir do comportamento de membros que têm status e função dentro daquele sistema.

São indivíduos em que a vida nas ruas se tornou um dado que não se questiona.Frequentemente eles se vêem em termos de variadas identidades de rua e não simplesmente como indivíduos que são desafortunados. Como consequência raramente falam sobre sair das ruas. Os outsiders podem ser divididos em três subtipos : os andarilhos, os mendigos e os doentes mentais.

4) Andarilhos - o andarilho é um trabalhador migrante, são altamente migratórios com um raio de ação muito maior que os outros moradores de rua. Suas viagens são tipicamente padronizadas e não aleatórias. Possuem um forte senso de independência e autocontrole que os leva a desprezar tanto os novatos de rua que ainda não aprenderam as regras do jogo e os que vivem em grande parte das esmolas de entidades de caridade organizadas ou que aceitam apoio substancial de serviços sociais. Os andarilhos parecem ter se resignado à vida nas ruas. Sua aceitação da vida de rua frequentemente se reflete numa tendência a se desfazer de seus nomes de batismo em favor de nomes de rua.

5) Mendigos: o termo mendigo significa tradicionalmente um não-trabalhador não-migrante, cujo raio de ação está, em geral, limitado a uma zona marginal e que é um alcoólatra crônico.Raramente se envolvem em trabalho remunerado.Isso ocorre não tanto porque são preguiçosos mas porque se tornaram indiferentes ou porque estão fisicamente debilitados devido a anos de vida dura e muita bebida. Ao invés disso sobrevivem graças a uma combinação de mendicância, comércio, catação de lixo, doações de instituições de caridade e apoio de serviço social.Parecem resignados a esse estilo de vida e vivem apenas o presente, raramente se preocupando com o futuro, em grande parte porque sabem que o amanhã lhes reserva pouco que seja diferente de hoje.

6) Doentes Mentais - estão entre os mais imóveis raramente se movimentando voluntariamente além de sua órbita cotidiana.Dentro desse circuito, eles sobrevivem principalmente aceitando doações, catando comida no lixo e mendigando. Na sua rotina de vida não incluem o uso de álcool e droga, são os mais reclusos e socialmente isolados.

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